É de casa!

A Vida Universitária conversou com Bruno Bozza, gerente de desenvolvimento principal sênior na Microsoft, que é formado em Ciência da Computação pela PUCPR e vive há 13 anos em Redmond – Washington, nos Estados Unidos. Na função, ele gerencia uma equipe de 10 desenvolvedores que constroem uma plataforma de resolução de registros para o Bing Local, assim como a solução vertical para o mercado americano. Depois de 11 anos programando em diversos grupos, atualmente dedica seu tempo a guiar os trabalhos da equipe e trabalha com outros gerentes nas interdependências entre projetos. Antes de chegar a essa função, Bozza só havia feito estágios em Curitiba, na Objective Solutions e na SEI Informática.

 

O que representa fazer parte da equipe de uma empresa como a Microsoft?

Um dos grandes diferenciais da Microsoft para um engenheiro é, em minha opinião, a escala e variedade das áreas de atuação. A Microsoft faz software, hardware e serviços, para clientes, servidores ou nuvem, faz jogos e sistemas de missão crítica, linguagens de programação, sistemas empresariais, uma search engine ( software projetado para encontrar recursos digitais) de primeira classe, e tem a maior instituição de pesquisa em ciência da computação na indústria – a Microsoft Research – que conta com alguns do melhores pesquisadores do mundo em suas áreas. Existe um vibrante mercado de trabalho interno, e o processo de transferências internas é aberto e razoável, não muito diferente do processo contratação. Para um engenheiro de software, nenhuma outra empresa apresenta tantas opções de desenvolvimento profissional em um só lugar.

 

De que modo acredita que pensar no futuro, é fundamental para o sucesso?

É importante manter uma perspectiva de longo prazo. Na universidade, isso significa “mirar alto” – almejar a mais do que julgamos provável, e correr atrás. O maior erro é otimizar para o mercado de trabalho. Primeiro, isso quebra a primeira regra, de mirar alto. Segundo, o mercado de trabalho é volátil. Ele não vai mais ser o mesmo daqui a dois anos. A solução é ter uma base ampla na parte do conhecimento – a ciência. Se você tem uma oportunidade de fazer um estágio ou intercâmbio no exterior, um semestre de faculdade pode esperar. Similarmente, depois de quatro anos ou mais, é compreensível a ansiedade, e em muitas vezes a necessidade, de se mergulhar no mercado logo após a Graduação. Mas, se houver a possibilidade de se prosseguir para uma Pós-Graduação, a oportunidade deve ser considerada um privilégio a ser aproveitado. Outra maneira de se pensar sobre isso é que os primeiros dois anos de carreira são aqueles em que o salário é mais baixo, enquanto que um título de Mestre é para sempre. Aliás, não foi isso que eu fiz para a minha própria carreira, mas isso é porque eu tive uma oportunidade que eu julgava rara: uma vaga com a Microsoft em Redmond – Washington.

 

Você acha que existe um momento mais adequado para se lançar ao mercado de trabalho? E de que modo a atuação, ainda como universitário, pode representar um diferencial competitivo?

Depende dos seus objetivos, oportunidades, ambições acadêmicas, e tolerância a risco. Fazer estágios ajuda a desenvolver uma rede contatos e provar sua competência profissional, o que por sua vez ajuda com o primeiro emprego como profissional formado, especialmente no mercado de pequenas é medias empresas no Brasil. É seguro. O custo, naturalmente, é o tempo, que poderia estar sendo dedicado ao aprofundamento acadêmico. Não é surpreendente que, se o objetivo é uma carreira acadêmica, limitar estágios e preferir programas de iniciação científica é mais recomendável. Um pouco mais surpreendente é que o mesmo é verdade para posições com grandes empresas de alta tecnologia e outras indústrias avançadas. Em geral, elas contratam para o longo prazo. Não esperam muita (ou qualquer) experiência de trabalho de um jovem recém-formado, mas sim uma base forte, possíveis publicações acadêmicas e participação em projetos open-source. Estágios contam, mas eles devem envolver projetos substanciais, dos quais o estagiário se orgulhará de ter no currículo, e não o trabalho repetitivo e trivial rejeitado pelos funcionários.

 

Como percebe a tendência do mercado profissionalmente? O mercado exige o que?

Uma base ampla e sólida permite que o profissional se adapte rapidamente às mudanças do mercado. Existem tendências de longo prazo, quando áreas inteiras do conhecimento passam do reino da ciência para a tecnologia, onde são aplicadas à industria e negócios. Isso está acontecendo hoje com o aprendizado de máquina (machine learning). A tecnologia mais em voga é dita Big Data, e certamente há valor nos problemas técnicos resolvidos por ela. Mas elas vão lado a lado, e o valor real em minha opinião está no aprendizado de máquina, que permite que coisas úteis sejam feitas com o Big Data. O que muitos ignoram é que não é preciso ter Big Data para se tirar proveito do Aprendizado de Máquina. E realmente há uma explosão na popularidade da área, comparável a poucas outras em 60 anos de computação. Quando algo de tal magnitude acontece, acaba se tornando parte da grade básica.

 

O constante aperfeiçoamento é fator determinante para o crescimento profissional. O que você busca para o seu desenvolvimento?

Este é o fator mais importante a longo prazo. A questão é como. Fazer um curso sobre a tecnologia da moda a cada dois anos não é a resposta. O que funcionou pra mim foi paixão e ambição. Se você faz o que gosta, o aperfeiçoamento se torna parte natural do seu dia a dia e, para mim, de quem você é. Basicamente, eu estou sempre lendo alguma coisa sobre aprendizagem de máquina, e acabo lamentando não ter mais tempo para ler e experimentar com algoritmos novos. Ambição significa que estou disposto a desviar-me da paixão, temporariamente, para focar no necessário para chegar onde almejo. Então o mais importante é escolher uma profissão que se alinhe com sua paixão e ambição.

 

Texto: Michele Bravos

Foto: Agência de Notícias Gazeta do Povo/ Henry Milleo

*a foto da casa cubo é Divulgação.

REVISTA VIDA UNIVERSITÁRIA

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