Casa em forma de estrela da década de 1930 é restaurada na PUCPR e aberta para visitação.

Um dos exemplares mais originais da arquitetura de madeira de Curitiba foi inaugurado no dia 6 de junho, mesma data em que é comemorado o Dia de São Marcelino Champagnat.

 

O nome da casa é uma referência ao formato da construção, cuja planta é baseada em uma estrela de cinco pontas. Construída na década de 1930 pelo perito contador Augusto Gonçalves de Castro, a casa foi moradia para a família até os anos 1990. O edifício vazio situado em área nobre de Curitiba, no Paraná, logo sofreu as ações do tempo e do vandalismo, e era alvo constante de especulações imobiliárias. Para proteger o patrimônio da família, os descendentes do contador optaram por retirar a Casa Estrela do local e a doaram para a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

 

Em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba e subsidiada pelas leis de incentivo cultural, a PUCPR desenvolveu todo o projeto para restauração da Casa Estrela, que incluiu o desmonte da edificação, a retirada do local, o transporte e a reconstrução dentro da Universidade. Foram seis anos de trabalho em torno do projeto, que é assinado pelo professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUCPR Cláudio Forte Maiolino.

 

Adepto da Teosofia* e do Esperanto**, o construtor escolheu dar uma forma à casa que simbolizasse os ideais pacifistas e de unidade dos povos que estas duas correntes expressavam. O contador levou aproximadamente quatro anos para concluir a construção. O trabalho foi desenvolvido com auxílio de ferramentas precárias e um lampião de carbureto, sempre após o expediente normal na empresa Macchine Cottons onde exercia a função de contador.

 

Para a coordenadora do Laboratório de Técnicas Retrospectivas da PUCPR, professora Nancy Valente, o construtor superou inúmeras dificuldades na projeção e construção do edifício que praticamente não apresenta ângulos retos. “A forma pentagonal de sua planta exigiu encaixes por vezes complicados, o que gerou soluções inusitadas, resolvidas nas próprias peças”.

 

A madeira utilizada na edificação foi basicamente o pinheiro do Paraná, que na época era abundante e barato. As tábuas de aproximadamente sete metros foram escolhidas pelo próprio construtor em uma serraria local.

 

O vínculo entre o projeto Casa Estrela e a Universidade, possibilitou aos acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUCPR participarem de todo o processo. “Os estudantes que atuaram no levantamento arquitetônico, mapeamento, desmonte do edifício e remontagem puderam perceber na história da Casa Estrela o real papel do arquiteto, que além de projetar, constrói, desenvolvendo durante a obra os meios necessários para que a edificação aconteça”, conta Nancy.

 

A Casa Estrela, que é uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP), será um espaço cultural aberto à visitação, abrigará um museu com a história da família Gonçalves de Castro e um ambiente explicativo sobre a Teosofia e o Esperanto.

 

Comunidade – A Casa Estrela será um espaço aberto para visitação da comunidade e para exposição fotográfica. Conta com um anfiteatro onde alunos das escolas visitantes poderão conhecer a história da Casa.

 

Visitas: de segunda à sexta-feira das 9 às 12h e das 14 às 17h.

Agendamento para grupos: pelo telefone (41) 3271-1604 ou 3271-1645.

 

*Teosofia – Corrente que estuda todas as religiões buscando o que elas têm em comum, e apregoando a possibilidade de todos os crentes se unirem sob os mesmos princípios.

 

**Esperanto – Língua inventada no final do século XIX, pelo polonês Lázaro Zamenhof, cuja gramática seria formada pelas principais raízes de vários idiomas.

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